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	<title>Língua</title>
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	<description>Aventuras de um aspirante a professor</description>
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		<title>Língua</title>
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		<title>Ocupar Porto Alegre</title>
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		<pubDate>Sat, 07 Jan 2012 00:58:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>César González</dc:creator>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Ocupa Porto Alegre]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
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		<description><![CDATA[Vou me permitir sair um pouco da discussão sobre escola e língua. Vou me permitir Ocupar Porto Alegre. É que hoje no final da tarde tive a oportunidade de participar de um debate sobre a questão das hidrelétricas (em especial, Belo Monte) junto ao povo que está lá na Praça da Matriz, ocupando um espaço [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=sobrealingua.wordpress.com&amp;blog=14904415&amp;post=229&amp;subd=sobrealingua&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Vou me permitir sair um pouco da discussão sobre escola e língua. Vou me permitir <em>Ocupar Porto Alegre. </em>É que hoje no final da tarde tive a oportunidade de participar de um debate sobre a questão das hidrelétricas (em especial, Belo Monte) junto ao povo que está lá na Praça da Matriz, ocupando um espaço público da cidade.</p>
<p>E o debate foi bonito: falamos sobre a necessidade de acumular riqueza e suas consequências para a geração de energia; falamos sobre alternativas a construção de hidrelétricas; falamos sobre o que estávamos produzindo ali, naquele espaço público ocupado. E, à pergunta que fizeram, que queria saber qual era nossa real contribuição à mudança social (não seria, por acaso, uma utopia a tal mudança?) demos a seguinte resposta: o compartilhar experiências, o dividir conhecimento, isso é nossa maior contribuição na busca de um mundo mais democrático, mais plural.</p>
<p>E como Paulo Freire explica, a cada momento estamos fazendo decisões éticas, que avaliam nossos condicionantes (e não determinantes!) sociais, históricos, culturais, genéticos&#8230; e que propõem a construção do novo, da mudança. Estamos a todo o tempo construindo o novo mundo no qual e com o qual vivemos. Por isso, creio que o que fizemos hoje à tarde lá na Praça da Matriz foi mudar, foi fazer uma escolha ética pela mudança nossa e do mundo, pois, seres inacabados que somos, só fazemos (nos) construir (o mundo) a todo o momento.</p>
<p>Voltarei a <em>Ocupar Porto Alegre</em>.</p>
<p style="text-align:center;">***</p>
<p>O <em>Ocupa Porto Alegre </em>continua ocupando a Praça da Matriz pelo menos até o fim de janeiro. Vão.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/sobrealingua.wordpress.com/229/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/sobrealingua.wordpress.com/229/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/sobrealingua.wordpress.com/229/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/sobrealingua.wordpress.com/229/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/sobrealingua.wordpress.com/229/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/sobrealingua.wordpress.com/229/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/sobrealingua.wordpress.com/229/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/sobrealingua.wordpress.com/229/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/sobrealingua.wordpress.com/229/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/sobrealingua.wordpress.com/229/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/sobrealingua.wordpress.com/229/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/sobrealingua.wordpress.com/229/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/sobrealingua.wordpress.com/229/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/sobrealingua.wordpress.com/229/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=sobrealingua.wordpress.com&amp;blog=14904415&amp;post=229&amp;subd=sobrealingua&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Pensando errado</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Jan 2012 13:27:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>César González</dc:creator>
				<category><![CDATA[Imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[preconceito lingüístico]]></category>

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		<description><![CDATA[Tomei o título de uma expressão do professor Paulo Freire, que diz em Pedagogia da Autonomia que um dos trabalhos do professor é ensinar a pensar certo. Não vou entrar na complexa questão de o que significa pensar certo para Paulo Freire, só vou pinçar uma das características do pensar errado: manter e perpretar preconceitos. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=sobrealingua.wordpress.com&amp;blog=14904415&amp;post=226&amp;subd=sobrealingua&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tomei o título de uma expressão do professor Paulo Freire, que diz em <em>Pedagogia da Autonomia </em>que um dos trabalhos do professor é ensinar a pensar certo. Não vou entrar na complexa questão de o que significa pensar certo para Paulo Freire, só vou pinçar uma das características do pensar errado: manter e perpretar preconceitos. No caso que eu vou tratar aqui, preconceito linguístico.</p>
<p>Na edição desta manhã, o Bom Dia Brasil, da Rede Globo, veiculou a notícia de que algumas escolas que oferecem ensino básico a distância em Brasília foram descredenciadas pelo Conselho de Educação do Distrito Federal. O motivo: não-cumprimento das condições iniciais de credenciamento exigidas pelo Conselho. A reportagem também apresenta a gravação de um telefonema de um jornalista para uma das escolas descredenciadas. Na gravação, a atendente da escola fala sobre os cursos e as avaliações necessárias para a obtenção do diploma.</p>
<p>Descobriram-se irregularidades e as escolas foram punidas. Ponto para os órgãos fiscalizadores.</p>
<p>O problema está no comentário de Alexandre Garcia sobre o caso, que começa com o motivo deste post, que começa pensando errado: &#8220;Pelo que se nota no telefonema que a gente ouviu, esse telefonema do &#8216;tá fazendo&#8217;, &#8216;tá optando&#8217;, o nível é baixo: o nível da pobreza vocabular, do abominável gerundismo.&#8221;</p>
<p>Por que atacar a fala da atendente da escola? Não é como se não houvesse quaisquer provas contra as escolas descredenciadas. Elas já foram descredenciadas exatamente porque não atendem aos requisitos mínimos para serem escolas. Ou seja, tem-se argumentos contra elas. Então, por que associar &#8220;pobreza vocabular&#8221; à corrupção dessas escolas? (E por que &#8220;pobreza&#8221;?)</p>
<p>Isso é pensar errado: o comentário do jornalista poderia ter sido ético, poderia ter sido limpo, poderia ter tratado dos fatos e de possibilidades a partir deles. Mas o que o comentário faz é jogar sujo, é atacar as escolas não pela corrupção dos seus atos, mas pela fala de suas atendentes. Isso é vileza intelectual, que não faz nada além de perpetrar o preconceito linguístico exacerbado em nossa sociedade.</p>
<p>Deixem eu explicar: nada há de errado com o infame gerundismo. O uso do gerúndio está é certo. O que o Alexandre Garcia e outros como ele não gostam é da acumulação de verbos auxiliares na frente do gerúndio. Especialmente quando o verbo indica uma ação pontual, como no caso de &#8220;optar&#8221;. Mas, como nos lembra Marcos Bagno, isso muda um pouco quando o verbo indica uma ação não-pontual, contínua: será mesmo um problema mandar uma pessoa levar o guarda-chuva, já que quando ela voltar <em>pode estar chovendo</em>? Eu espero que não, até porque eu não conseguiria dizer o mesmo de outra forma.</p>
<p style="text-align:center;">***</p>
<p style="text-align:left;">Uma última pergunta: por que os &#8220;tás&#8221; da atendente vieram em itálico? Não é assim que todos falamos?</p>
<p style="text-align:center;">***</p>
<p style="text-align:left;">Por fim, roubei o exemplo do guarda-chuva da <em>Gramática Pedagógica do Português Brasileiro </em>do Marcos Bagno: altamente recomendável.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/sobrealingua.wordpress.com/226/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/sobrealingua.wordpress.com/226/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/sobrealingua.wordpress.com/226/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/sobrealingua.wordpress.com/226/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/sobrealingua.wordpress.com/226/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/sobrealingua.wordpress.com/226/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/sobrealingua.wordpress.com/226/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/sobrealingua.wordpress.com/226/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/sobrealingua.wordpress.com/226/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/sobrealingua.wordpress.com/226/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/sobrealingua.wordpress.com/226/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/sobrealingua.wordpress.com/226/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/sobrealingua.wordpress.com/226/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/sobrealingua.wordpress.com/226/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=sobrealingua.wordpress.com&amp;blog=14904415&amp;post=226&amp;subd=sobrealingua&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O discurso da incapacidade</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Feb 2011 01:42:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>César González</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Recentemente, o governo federal passou a recomendar que as escolas implantassem o &#8220;Ciclo de Alfabetização e Letramento&#8221;, que substituiria as três primeiras séries do ensino fundamental. Como o esperado, a grande mídia não viu o que há de bom nessa proposta. Sabemos que a seriação, em geral, se baseia em provas finais que decidem o [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=sobrealingua.wordpress.com&amp;blog=14904415&amp;post=204&amp;subd=sobrealingua&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Recentemente, o governo federal passou a recomendar que as escolas implantassem o &#8220;Ciclo de Alfabetização e Letramento&#8221;, que substituiria as três primeiras séries do ensino fundamental. Como o esperado, a grande mídia não viu o que há de bom nessa proposta.</p>
<p>Sabemos que a seriação, em geral, se baseia em provas finais que decidem o destino do aluno: atingindo o mínimo necessário na prova, ele é promovido para a série posterior; não atingindo esse mínimo, o aluno acaba refazendo aquela série. Esse sistema, como se pode imaginar, ajuda a aumentar os índices de evasão escolar: o aluno reprovado acaba por se convencer que &#8220;não nasceu pra estudar&#8221; e deixa a escola. É exatamente isso que se quer combater com o Ciclo.</p>
<p>O Ciclo não prevê provas finais que decidem se o aluno passa de ano ou não. Durante os três anos de Ciclo, o aluno deverá aprender a ler e a escrever. E suas notas não o obrigarão a rever um ano inteiro de estudos (o que, cá pra nós, além de ser <strong>muito</strong> chato, raramente desemboca em aprendizado). Entretanto, isso não significa que não vamos mais avaliar o aluno. O problema aqui é que temos que pensar avaliação não como prova no final do ano, que rotula o aluno como um aluno nota 10, um aluno nota 5, um aluno nota 0&#8230; Temos que pensar avaliação como um processo que deve percorrer toda a vida escolar do educando e avaliar o seu crescimento através do curso, comparando suas notas anteriores com as atuais e as dos seus pares. Uma avaliação assim pode revelar inclusive a qualidade do trabalho sendo feito em sala de aula, uma vez que a escola vai poder observar maiores evoluções entre os alunos de bons professores. As provas pontuais dificilmente ajudarão a fazer esse tipo de análise.</p>
<p>A questão é que a imprensa não gosta de fazer análises baseadas na razão: eles utilizam o discurso da crise da educação para exigir o imediatismo das decisões políticas; eles preferem apontar seus dedos para os supostos responsáveis pela crise a fazer uma análise menos rasa das propostas de políticas públicas para a educação. Em outras palavras, a questão não se resume a &#8220;aprovar ou ensinar?,&#8221; como quer o <a title="&quot;Aprovar ou ensinar?&quot;, 20/02/2011" href="http://wp.clicrbs.com.br/editor/2011/02/17/opine-voce-concorda-que-a-melhor-forma-de-nao-reprovar-e-ensinar/?topo=13,1,1,,,13">editorial da Zero Hora</a>: não se trata de aprovar sem ensinar, mas de ensinar sem que a questão da aprovação ou reprovação possa interferir de maneira decisiva no futuro escolar do educando.</p>
<p>É claro que para diminuir drasticamente a evasão escolar, precisamos parar de convencer os alunos de que eles não foram feitos para o mundo das letras. O mundo das letras é democrático: aceita todas as etnias, orientações sexuais, posições políticas, faixas salariais&#8230; O mundo das letras, o mundo da cultura, o mundo do saber deveria estar aberto para todos. Inclusive os filhos dos menos favorecidos, os que mais sofrem com a ineficiência do ensino. O problema é que é fácil convencê-los de que não servem para as letras, pois, se não podem ler e escrever, não lêem textos que os podem ajudar, como as leis que estabelecem que todos são iguais, que todos tem direito a educação&#8230; Por conseqüência, essas mesmas pessoas não podem exercer sua cidadania com consciência. Melhor para aqueles que podem: podem mandar seus filhos para boas escolas, podem dar acesso ao mundo da cultura e das letras aos seus filhos, podem manter seu status frente a uma sociedade que exclui toda a imensa maioria que nada pode&#8230;</p>
<p>Acho que já basta de reproduzir o discurso da incapacidade de aprender que temos inculcado nos nossos estudantes. Acho também que o Ciclo de Alfabetização e Letramento está aí para ajudar a suplantar esse discurso, por isso mesmo devemos apoiá-lo.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/sobrealingua.wordpress.com/204/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/sobrealingua.wordpress.com/204/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/sobrealingua.wordpress.com/204/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/sobrealingua.wordpress.com/204/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/sobrealingua.wordpress.com/204/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/sobrealingua.wordpress.com/204/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/sobrealingua.wordpress.com/204/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/sobrealingua.wordpress.com/204/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/sobrealingua.wordpress.com/204/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/sobrealingua.wordpress.com/204/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/sobrealingua.wordpress.com/204/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/sobrealingua.wordpress.com/204/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/sobrealingua.wordpress.com/204/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/sobrealingua.wordpress.com/204/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=sobrealingua.wordpress.com&amp;blog=14904415&amp;post=204&amp;subd=sobrealingua&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Leis</title>
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		<pubDate>Wed, 02 Feb 2011 03:16:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>César González</dc:creator>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
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		<description><![CDATA[A Lei n°11.738/08 estabelece o salário mínimo do magistério público em R$950,00. Não preciso lembrar que nossa então governadora, Yeda Crusius (PSDB), foi contra o mínimo irrisório que essa lei estabeleceu. Também não preciso lembrar que, no mesmo ano, Yeda aumentou seu próprio salário de R$7.140,70 para R$17.343,14. (Veja aqui a reportagem da Folha sobre [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=sobrealingua.wordpress.com&amp;blog=14904415&amp;post=201&amp;subd=sobrealingua&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A Lei n°11.738/08 estabelece o salário mínimo do magistério público em R$950,00. Não preciso lembrar que nossa então governadora, Yeda Crusius (PSDB), foi contra o mínimo irrisório que essa lei estabeleceu. Também não preciso lembrar que, no mesmo ano, Yeda aumentou seu próprio salário de R$7.140,70 para R$17.343,14. (Veja <a title="Folha, 7/8/2008: Assembléia gaúcha aumenta salário de Yeda em 143%" href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u430627.shtml" target="_blank">aqui</a> a reportagem da Folha sobre o assunto. Observe também que o deputado Alexandre Postal (PMDB) classificou de <strong>irrisório</strong> o salário anterior da governadora. Aparentemente ele e eu discordamos do significado de irrisório, pois, como se pode ler logo no início desse post, foi esse o adjetivo que usei para qualificar o salário dos professores.) Mas deixemos de lado essas controvérsias passadas: a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4.167, movida pela governadora do nosso estado e pelos governadores do Mato Grosso do Sul, do Paraná, de Santa Catarina e do Ceará ainda não teve sua decisão final proferida. Esperemos que tudo dê certo.</p>
<p>O que eu realmente queria discutir nesse post é a iniciativa de Cristovam Buarque (PDT-DF) e de Pedro Simon (PMDB-RS), que andaram escrevendo um projeto de lei que altera o artigo 5° da Lei 11.738/08 &#8211; aquela da confusão com a Yeda &#8211; vinculando o salário dos professores públicos ao salário dos senadores. (Leia o projeto <a title="Altera o parágrafo único do art. 5º da Lei nº 11.738, de 16 de julho de 2008, que institui o piso salarial profissional nacional para os profissionais do magistério público da educação básica, para introduzir critério de reajuste anual de seu valor." href="http://legis.senado.gov.br/mate-pdf/85400.pdf" target="_blank">aqui</a>.)</p>
<p>É óbvio que eu acho a iniciativa louvável: se aprovado, esse projeto de lei aumentaria o salário mínimo dos professores de R$1.024,00 para R$1.656,62 automaticamente, pois prevê que o aumento que os senadores se deram no fim de 2010 seja considerado no cálculo dos vencimentos dos professores. E o mais legal é que, toda a vez que os senadores se dessem um aumento escandaloso, como os 61,78% de dezembro do ano passado, nós, professores, receberíamos o mesmo percentual de reajuste.</p>
<p>Contudo, é também bastante óbvio que o projeto é inviável. <a title="Professores do Brasil: impasses e desafios" href="http://unesdoc.unesco.org/images/0018/001846/184682por.pdf" target="_blank">Um estudo recente publicado pela UNESCO</a> calcula que somos 2.803.761 professores no Brasil. Dar um aumento dessa magnitude para todos nós colocaria as contas públicas em perigo. Ou seja, infelizmente, dar aumentos de 61,78% para 81 senadores é bem mais viável que dar o mesmo aumento para os mais de 2.8 milhões de professores. Aprovado, o melhor que esse projeto faria pela sociedade seria freiar um pouco a ganância dos homens públicos, que não poderiam mais se dar aumentos astronômicos como o de dezembro passado, sob o risco de quebrar o país. Por outro lado, nós, professores, pobres coitados, nunca mais teríamos um aumento. Apesar de vestir uma máscara de mudança justa e para o melhor de todos, esse projeto acabaria por deixar a nós, professores, na mesma. Continuaríamos enfrentando os mesmos problemas salariais que temos enfrentado há anos. (Isso até que alguém conseguisse provar que a vinculação entre os reajustes de professores e senadores é inconstitucional.)</p>
<p>Um projeto assim cheira a populismo barato: é que, com a imprensa alardeando a plenos pulmões o fracasso de nossa escola, a população passa a demandar do poder público uma educação de melhor qualidade. Qualquer político que apóie, ou, nesse caso, proponha um projeto como esse, tem o direito de se apresentar para a população como o defensor da educação num país de políticos corruptos e degenerados. Esse bom samaritano, capaz de lutar contra a corrente e propor um aumento digno para os miseráveis professores, deve ser respeitado e receber os votos que merece por sua posição política de paladino da escola. Isso tudo, apesar de seu projeto ser economicamente inviável.</p>
<p>Temos que estar atentos a esse tipo de atitude. Mudanças têm de vir, mas também têm de ser pensadas com cuidado.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/sobrealingua.wordpress.com/201/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/sobrealingua.wordpress.com/201/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/sobrealingua.wordpress.com/201/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/sobrealingua.wordpress.com/201/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/sobrealingua.wordpress.com/201/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/sobrealingua.wordpress.com/201/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/sobrealingua.wordpress.com/201/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/sobrealingua.wordpress.com/201/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/sobrealingua.wordpress.com/201/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/sobrealingua.wordpress.com/201/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/sobrealingua.wordpress.com/201/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/sobrealingua.wordpress.com/201/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/sobrealingua.wordpress.com/201/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/sobrealingua.wordpress.com/201/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=sobrealingua.wordpress.com&amp;blog=14904415&amp;post=201&amp;subd=sobrealingua&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Estresse</title>
		<link>http://sobrealingua.wordpress.com/2010/10/08/estresse/</link>
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		<pubDate>Fri, 08 Oct 2010 23:38:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>César González</dc:creator>
				<category><![CDATA[Imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[Professores]]></category>
		<category><![CDATA[escola]]></category>
		<category><![CDATA[imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
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		<category><![CDATA[sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[Um professor de geografia andou explodindo em sala de aula, xingando alunos, agredindo colegas&#8230; Tome um tempo e assista a reportagem da Globo aqui &#8211; ela será necessária para acompanhar o texto. Continuemos? Bom, o interessante é que, durante a gritaria, ele avisou que estava doente. Ou seja, ele sabia que poderia acontecer algo como [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=sobrealingua.wordpress.com&amp;blog=14904415&amp;post=184&amp;subd=sobrealingua&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Um professor de geografia andou explodindo em sala de aula, xingando alunos, agredindo colegas&#8230; Tome um tempo e assista a reportagem da Globo <a title="Jornal Hoje, 30/09/2010: &quot;Professores se descontrolam dentro de sala de aula&quot;" href="http://g1.globo.com/videos/jornal-hoje/v/professores-se-descontrolam-dentro-de-sala-de-aula/1347781/#/Edições/20100930/page/1" target="_blank">aqui</a> &#8211; ela será necessária para acompanhar o texto.</p>
<p>Continuemos?</p>
<p>Bom, o interessante é que, durante a gritaria, ele avisou que estava doente. Ou seja, ele sabia que poderia acontecer algo como o que aconteceu. E ele pediu para ser afastado.</p>
<p>Pedido negado.</p>
<p>O Jornal Hoje, da Globo, se preocupa em noticiar a violência da cena. Eles esquecem, é claro, que, se o pedido de afastamento do professor tivesse sido aceito, talvez eles nada tivessem para noticiar. No entanto, para que o pedido fosse aceito, seria necessário que a Secretaria da Educação de São Paulo tivesse outro professor de geografia para substituí-lo. Me arrisco a dizer que eles não têm pessoal para esse tipo de coisa. Não têm pessoal porque não há professores suficientes por aí. Pouquíssima gente se arrisca a ser professor; afinal de contas, quantas pessoas estão dispostas a se colocar em uma posição que é historicamente maltratada pela nossa sociedade?</p>
<p>No dia seguinte, o Jornal Hoje novamente nos brindou com reportagens sobre a violência na escola. (De novo, assista a reportagem <a title="Jornal Hoje, 1/10/2010: Brigas entre alunos e professores viram caso de justiça" href="http://g1.globo.com/videos/jornal-hoje/v/brigas-entre-alunos-e-professores-viram-caso-de-justica/1348491/#/Edições/20101001/page/1" target="_blank">aqui</a>.) Dessa vez, o professor de geografia foi rastreado e &#8220;falou&#8221; para as câmeras da Globo. Coloco esse &#8220;falou&#8221; aí entre aspas porque a entrevista que ele deu para a TV foi, obviamente, editada e, consequentemente, o professor teve que ser cortado. Só que me intriga o porquê de ele ter sido cortado no meio da seguinte frase: &#8220;Eu faço um excelente trabalho, que não é reconhecido&#8230;&#8221; Mas, eu não faço TV, e podem me escapar as claras razões por trás do corte da Globo.</p>
<p>Veja bem, não estou defendendo o professor. Não acho que seja certo berrar desesperadamente em sala de aula, destruir propriedade pública, ou agredir colegas de trabalho. Só quero discutir a possibilidade de esse furdunço todo nunca ter acontecido. Me parece óbvio que o professor estava estressado. (E, ao contrário do que imaginam os repórteres responsáveis pela notícia, não precisamos de um especialista para nos dizer o óbvio.) Entretanto, me parece óbvio também que um professor doente tem que ser tirado de sala de aula. (O que talvez tivesse acontecido caso o mestre estivesse com uma doença altamente contagiosa.) Mas, como permitir que o professor se recupere em casa se não temos o pessoal necessário para dar continuação ao seu trabalho em sala de aula?</p>
<p>Essa reportagem deve ser lida, na minha opinião, como um aviso: está chegando a hora em que a educação vai parar. Sem políticas públicas de valorização (em todos os sentidos) da carreira docente, não conseguiremos escapar do fracasso. E, se não valorizarmos a carreira docente, não restará ninguém para ensinar nossos filhos.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/sobrealingua.wordpress.com/184/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/sobrealingua.wordpress.com/184/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/sobrealingua.wordpress.com/184/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/sobrealingua.wordpress.com/184/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/sobrealingua.wordpress.com/184/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/sobrealingua.wordpress.com/184/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/sobrealingua.wordpress.com/184/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/sobrealingua.wordpress.com/184/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/sobrealingua.wordpress.com/184/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/sobrealingua.wordpress.com/184/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/sobrealingua.wordpress.com/184/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/sobrealingua.wordpress.com/184/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/sobrealingua.wordpress.com/184/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/sobrealingua.wordpress.com/184/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=sobrealingua.wordpress.com&amp;blog=14904415&amp;post=184&amp;subd=sobrealingua&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Professores e dicionários são coisas diferentes</title>
		<link>http://sobrealingua.wordpress.com/2010/09/23/professores-e-dicionarios-sao-coisas-diferentes/</link>
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		<pubDate>Thu, 23 Sep 2010 03:27:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>César González</dc:creator>
				<category><![CDATA[Aulas]]></category>
		<category><![CDATA[ensino de língua estrangeira]]></category>
		<category><![CDATA[inglês]]></category>
		<category><![CDATA[português]]></category>
		<category><![CDATA[vocabulário]]></category>

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		<description><![CDATA[Outro dia, em uma aula de inglês, minha paciência se esgotou e me recusei a responder quaisquer outras perguntas sobre vocabulário. &#8220;Sou professor, não dicionário,&#8221; pensei. Aqui está o pulo do gato. Fui até a biblioteca e recolhi um dicionário para cada um de meus alunos e um outro para mim. Voltei para a sala [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=sobrealingua.wordpress.com&amp;blog=14904415&amp;post=179&amp;subd=sobrealingua&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Outro dia, em uma aula de inglês, minha paciência se esgotou e me recusei a responder quaisquer outras perguntas sobre vocabulário. &#8220;Sou professor, não dicionário,&#8221; pensei.</p>
<p>Aqui está o pulo do gato.</p>
<p>Fui até a biblioteca e recolhi um dicionário para cada um de meus alunos e um outro para mim. Voltei para a sala de aula e para o texto que estávamos lendo. Se tratavam de quatro parágrafos curtos, mas com algum vocabulário mais complexo do que aquele que meus alunos adolescentes de inglês básico 3 tinham. Trabalhamos da seguinte maneira:</p>
<p>Primeiro pedi que meus alunos lessem o texto inteiro, sublinhando as palavras que não conhecessem. Depois, conferíamos o que eles haviam compreendido daquilo que leram. Por fim, eu permitia que eles fizessem perguntas sobre o vocabulário do texto.</p>
<p>Ao invés de eu sanar-lhes as dúvidas, eu pedia que os outros alunos em sala de aula tentassem dar conta do significado das palavras que eles conheciam. As palavras que restavam, procurávamos no dicionário em uma espécie de competição: o que primeiro a achasse marcava um ponto, cada ponto seria premiado com um doce no final da aula. Quem encontrava a palavra primeiro era convidado a ler sua definição e, juntos, verificávamos se a definição dada pelo dicionário era adequada ao texto.</p>
<p>Além de restaurar um pouco de minha paciência, essa técnica, depois percebi, tem vários pontos positivos:</p>
<ol>
<li>Exige que o estudante saiba manejar um dicionário, coisa que lhe será útil por toda a vida. (Assim, se for o caso de os alunos não conhecerem um dicionário, é dever do professor ensinar-lhes como utilizá-lo.)</li>
<li>Contribui para autonomia do estudante, já que ele será incentivado a utilizar o dicionário (e não perguntar para o professor) para resolver seus problemas vocabulares.</li>
<li>Promove a reflexão linguística, pois são dicionarizados vários significados e é dever do estudante escolher a definição mais adequada ao texto que está sendo lido.</li>
<li>Valoriza o conhecimento dos estudantes, uma vez que só são procuradas as palavras que não forem resolvidas dentro do grupo.</li>
<li>Faz da aula mais dinâmica e, por isso mesmo, mais interessante para o aluno.</li>
</ol>
<p>Essa atividade pode ser utilizada na sala de aula de português também, trazendo todos os mesmos benefícios, além de mostrar ao aluno que o conhecimento está ao seu alcance.</p>
<p style="text-align:center;">***</p>
<p>P. S.: Não me venham reclamar que não há dicionários para todos os alunos, pois o governo federal distribui dicionários para as escolas públicas através do PNLD (Programa Nacional do Livro Didático). Por outro lado, as escolas particulares têm obrigação de oferecer dicionários aos seus alunos, dado o dinheiro e a confiança nelas depositados.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/sobrealingua.wordpress.com/179/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/sobrealingua.wordpress.com/179/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/sobrealingua.wordpress.com/179/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/sobrealingua.wordpress.com/179/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/sobrealingua.wordpress.com/179/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/sobrealingua.wordpress.com/179/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/sobrealingua.wordpress.com/179/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/sobrealingua.wordpress.com/179/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/sobrealingua.wordpress.com/179/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/sobrealingua.wordpress.com/179/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/sobrealingua.wordpress.com/179/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/sobrealingua.wordpress.com/179/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/sobrealingua.wordpress.com/179/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/sobrealingua.wordpress.com/179/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=sobrealingua.wordpress.com&amp;blog=14904415&amp;post=179&amp;subd=sobrealingua&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Alienação</title>
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		<pubDate>Thu, 23 Sep 2010 02:39:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>César González</dc:creator>
				<category><![CDATA[Escola]]></category>
		<category><![CDATA[contextualização do ensino]]></category>
		<category><![CDATA[escola]]></category>
		<category><![CDATA[humor]]></category>

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		<description><![CDATA[Acho que o cartum acima dá conta do recado: chega de alienar as crianças do mundo que vivem através da escola. Do meu ponto de vista, podemos contextualizar o ensino e isso não é tão custoso quanto pode parecer; basta um pouco de força de vontade para achar um jeito de ensinar que valorize aquilo [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=sobrealingua.wordpress.com&amp;blog=14904415&amp;post=175&amp;subd=sobrealingua&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 610px"><img class=" " src="http://sobrealingua.files.wordpress.com/2010/09/39.jpg?w=600&#038;h=600" alt="" width="600" height="600" /><p class="wp-caption-text">Pensamento aleatório: colocamos nossas crianças em quartos fechados, olhando para a parede e fingindo estar aprendendo sobre a vida.</p></div>
<p>Acho que o cartum acima dá conta do recado: chega de alienar as crianças do mundo que vivem através da escola. Do meu ponto de vista, podemos contextualizar o ensino e isso não é tão custoso quanto pode parecer; basta um pouco de força de vontade para achar um jeito de ensinar que valorize aquilo que a criança conhece &#8211; sua escola, sua história, sua língua&#8230; Já falei sobre isso por aqui: <a title="Língua, 17/08/2010: Viena" href="http://sobrealingua.wordpress.com/2010/08/17/viena/" target="_blank">Viena</a>.</p>
<p style="text-align:center;">***</p>
<p>O cartum veio do blog <em>Stuff No-one Told Me</em> e, como não quero ninguém &#8220;going medieval&#8221; comigo, sugiro que você vá fazer uma visita ao <a title="Visitar Stuff No-one Told Me" href="http://stuffnoonetoldme.blogspot.com/" target="_blank">site</a>.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/sobrealingua.wordpress.com/175/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/sobrealingua.wordpress.com/175/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/sobrealingua.wordpress.com/175/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/sobrealingua.wordpress.com/175/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/sobrealingua.wordpress.com/175/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/sobrealingua.wordpress.com/175/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/sobrealingua.wordpress.com/175/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/sobrealingua.wordpress.com/175/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/sobrealingua.wordpress.com/175/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/sobrealingua.wordpress.com/175/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/sobrealingua.wordpress.com/175/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/sobrealingua.wordpress.com/175/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/sobrealingua.wordpress.com/175/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/sobrealingua.wordpress.com/175/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=sobrealingua.wordpress.com&amp;blog=14904415&amp;post=175&amp;subd=sobrealingua&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>O dicionário do Machado</title>
		<link>http://sobrealingua.wordpress.com/2010/09/17/o-dicionario-do-machado/</link>
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		<pubDate>Fri, 17 Sep 2010 22:49:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>César González</dc:creator>
				<category><![CDATA[Português]]></category>
		<category><![CDATA[Redação]]></category>
		<category><![CDATA[gramática]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>
		<category><![CDATA[português]]></category>
		<category><![CDATA[textos]]></category>
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		<description><![CDATA[Machado de Assis, aquele cara que uns poucos aprendem a gostar de ler quando já se acham maduros, escreveu um conto ao qual deu o título de &#8220;O dicionário&#8220;. Nesse conto, o tanoeiro demagogo Bernardino se torna rei e, uma vez poderoso, passa a decretar leis esdrúxulas: que todos sejam calvos como seu rei; que todos [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=sobrealingua.wordpress.com&amp;blog=14904415&amp;post=168&amp;subd=sobrealingua&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:left;">Machado de Assis, aquele cara que uns poucos aprendem a gostar de ler quando já se acham maduros, escreveu um conto ao qual deu o título de &#8220;<a href="http://sobrealingua.files.wordpress.com/2010/09/bv000220.pdf">O dicionário</a>&#8220;. Nesse conto, o tanoeiro demagogo Bernardino se torna rei e, uma vez poderoso, passa a decretar leis esdrúxulas: que todos sejam calvos como seu rei; que todos os pés esquerdos dos calçados tenham um talhe sobre o mindinho como os calçados do rei, que sofre de calos; que todos usem óculos, pois o rei os usa&#8230; Um dia, Bernardão (o rei tinha trocado de nome para adequá-lo à sua nova condição) convenceu-se que tinha que casar e enamorou-se de Estralada, que, por sua vez, amava um poeta.</p>
<p style="text-align:left;">Por pressão da família, Estrelada concordou em casar-se, desde que seu par fosse escolhido em um concurso de poesia: casaria com o autor do melhor poema. Rei Bernardão aceitou, pois sabia ser melhor que o próprio Homero; só que quem ganhou foi o poeta. Bernardão anulou o concurso três vezes, sempre inventando uma nova regra para tentar ganhar, até que, aconselhado por Alfa e Ômega, puxa-sacos reais, decidiu fazer um dicionário com as palavras de uma nova língua, que seria instituída a língua da nação. O concurso derradeiro veio e, mais uma vez, o rei foi derrotado. Mesmo com a língua que ele havia mandado construir, Bernardão não conseguiu vencer o concurso pela mão de Estrelada.</p>
<p style="text-align:left;">O legal nesse conto é ver que a língua artificial dos bajuladores reais Alfa e Ômega não foi capaz de superar o poeta. O próprio Machado dá uma pista do porque, no fim do conto, com os seguintes versos, atribuídos a Garção:</p>
<blockquote style="text-align:left;"><p>O raro Apeles,</p>
<p>Rubens e Rafael, inimitáveis</p>
<p>Não se fizeram pela cor das tintas;</p>
<p>A mistura elegante os fez eternos.</p></blockquote>
<p>Com isso, me parece, Machado está nos dizendo que não importa a língua que usamos, mas sim o que fazemos com ela. Se trata de trabalhar com a língua que temos para que consigamos dizer o que queremos. A tarefa é difícil, mas não custa tentar dizer algo quando escrevemos.</p>
<p>Essa tentativa, em geral, implica em uma briga com as palavras, com as frases. Ela implica dobrar a sintaxe, trabalhar com as possibilidades que língua nos dá para que possamos dizer o que queremos dizer da maneira mais adequada aos nossos propósitos. Ela implica em botar nosso conhecimento de morfologia para trabalhar, montando palavras novas, causando efeitos diversos com palavras diversas, como n&#8217;<em>O dicionário</em>:</p>
<blockquote style="text-align:left;">
<div>
<p>para maior lustre da pessoa e do cargo, passava a chamar-se, em vez de <strong>Bernardino, Bernardão</strong> (grifo meu). Particularmente encomendou uma genealogia a um grande doutor dessas matérias, que em pouco mais de uma hora o entroncou a um tal ou qual general romano do século IV, Bernardus Tanoarius (&#8230;)</p>
</div>
</blockquote>
<p>Aqui, o rei Bernardino escolheu ser Bernardão por causa de sua nova posição social. O uso do aumentativo nesse caso estabelece uma relação de superioridade, de poder &#8211; mais adequado, portanto, ao seu título real que Bernardino, cuja terminação -ino (muito parecida com o -inho do diminutivo) produz um efeito de enfraquecimento, deixando o personagem lá em baixo, junto aos outros tanoeiros.</p>
<p>É essa a gramática útil: a gramática que nos dá os instrumentos para que digamos e escrevamos o que queremos dizer e escrever. Porém, existe também uma gramática inútil: uma gramática que se preocupa em classificar as orações em coordenadas sindéticas ou assindéticas, em discutir se estamos diante de um adjunto adnominal ou complemento nominal; uma gramática que insistem em nos ensinar só porque alguém acha que temos que saber esses nomes (e apenas os nomes, não o fenômeno que eles denominam). Essa gramática inútil, nós não precisamos saber.</p>
<p>Sem esgotar a discussão, fica a leitura d&#8217;<em>O dicionário</em> do Machado de sugestão. (Rimou, propositadamente.)</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/sobrealingua.wordpress.com/168/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/sobrealingua.wordpress.com/168/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/sobrealingua.wordpress.com/168/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/sobrealingua.wordpress.com/168/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/sobrealingua.wordpress.com/168/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/sobrealingua.wordpress.com/168/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/sobrealingua.wordpress.com/168/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/sobrealingua.wordpress.com/168/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/sobrealingua.wordpress.com/168/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/sobrealingua.wordpress.com/168/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/sobrealingua.wordpress.com/168/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/sobrealingua.wordpress.com/168/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/sobrealingua.wordpress.com/168/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/sobrealingua.wordpress.com/168/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=sobrealingua.wordpress.com&amp;blog=14904415&amp;post=168&amp;subd=sobrealingua&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O caso da crase</title>
		<link>http://sobrealingua.wordpress.com/2010/09/16/o-caso-da-crase/</link>
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		<pubDate>Thu, 16 Sep 2010 04:00:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>César González</dc:creator>
				<category><![CDATA[Imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[gramática]]></category>
		<category><![CDATA[imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[português]]></category>
		<category><![CDATA[preconceito lingüístico]]></category>

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		<description><![CDATA[De novo a imprensa. Só que agora propagando o preconceito linguístico: o G1, portal da globo.com, pede numa &#8220;reportagem&#8221;, já um tanto antiga para os padrões da internet (veja a página aqui), que o leitor mande fotos de placas com &#8220;erros de português&#8221;. A internet já está cheia dessas bobagens e você mesmo pode fazer [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=sobrealingua.wordpress.com&amp;blog=14904415&amp;post=160&amp;subd=sobrealingua&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>De novo a imprensa.</p>
<p>Só que agora propagando o preconceito linguístico: o G1, portal da globo.com, pede numa &#8220;reportagem&#8221;, já um tanto antiga para os padrões da internet (veja a página <a title="G1, 15/04/2009: &quot;Envie fotos de placas curiosas ou com erros de português&quot;" href="http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL1084842-5598,00.html" target="_blank">aqui</a>), que o leitor mande fotos de placas com &#8220;erros de português&#8221;. A internet já está cheia dessas bobagens e você mesmo pode fazer o teste: uma busca por &#8220;erros de português&#8221; no Google Images nos dá 190 000 imagens.</p>
<p>Além de dar a problemas com as arbitrárias regras de ortografia a categoria de &#8220;notícia&#8221; num país onde a educação é precária, o G1 também faz questão de começar a &#8220;reportagem&#8221; com o seguinte parágrafo:</p>
<blockquote><p>Você já deve ter visto alguma placa de sinalização com erros de português como “à 100 metros” (com crase antes de um numeral) ou “de segunda à sábado” (novamente um erro de crase). Até mesmo as placas emitidas por órgãos oficiais não escapam dos deslizes com a gramática.</p></blockquote>
<p>Uma rápida bisbilhotada nos resultados do Google Images vai nos revelar que os problemas de case são irrelevantes perto do que se pode encontrar escrito por aí. Além disso, a crase é um problema de língua escrita bem mais complexo do que parece. Para perceber isso basta que a gente leia o que diz o respeitável gramático Evanildo Bechara (1983:285) sobre o assunto:</p>
<blockquote><p><strong>Emprego do à acentuado.</strong> &#8211; Emprega-se o acento grave no <strong>a</strong> para indicar que soa como vogal aberta nos seguintes dois casos:</p>
<p>1.°) quando representa a construção da preposição <strong>a</strong> com  artigo e pronome <strong>a</strong> ou o início de <strong>aquele(s)</strong>, <strong>aquela(s)</strong>, <strong>aquilo</strong>, fenômeno que em gramática descritiva se chama crase: <strong>Fui à cidade</strong>.</p>
<p>O verbo <strong>ir</strong> pede a preposição <strong>a</strong>; o substantivo <strong>cidade</strong> pede artigo feminino <strong>a</strong>: Fui <strong>a a</strong> cidade.</p>
<p>2.°) quando representa <strong>a pura preposição a</strong> que rege um substantivo feminino singular, formando uma locução adverbial: <strong>à força, à míngua, à bala, à faca, à espada, à fome, à sede, à pressa, à noite, à tarde</strong>, etc.</p></blockquote>
<p>E ele não pára por aí. Desse ponto segue para uma lista de quatro &#8220;casos principais&#8221; em que ocorre a crase:</p>
<blockquote><p>a) diante de palavra feminina, clara ou oculta, que não repele artigo: <strong>Dirigia-se à Bahia e depois a Paris.</strong> (&#8230;)</p>
<p>b) diante dos demonstrativos a, aquele, aquela, aquilo: <strong>Referiu-se àquela que estava ao seu lado</strong>.</p>
<p>c) diante de possessivo em referência a substantivo oculto: <strong>Dirigiu-se àquela casa e não à sua.</strong></p>
<p>d) diante de locuções adverbiais constituídas de substantivo feminino plural: <strong>às vezes, às claras, às ocultas, às escondidas, às três da manhã.</strong></p></blockquote>
<p>Além desses, há ainda seis &#8220;casos principais&#8221; em que não ocorre a crase e outros três em que a crase é facultativa. Refiro o leitor à <em>Moderna gramática portuguesa </em>para a descrição completa desses casos, que somam três páginas de enfadonho discurso metalinguístico.</p>
<p>Por que é um problema começar a &#8220;reportagem&#8221; dando como exemplos de &#8220;erros de português&#8221; problemas com a crase? Porque, como tentei mostrar acima, a crase é um problema para qualquer pessoa que se coloque a escrever. E, ao mandar seu leitor sair à procura de placas com problemas no emprego da crase, o G1 se posicionou do lado dos que sabem a correta ortografia das palavras, o jeito certo de falar e escrever&#8230; O G1 disse que, mais do que ortografia ou gramática, se sabe lidar com a crase: o bicho-papão da regência verbal. O problema é que eu descobri, escondidinho lá no Google Images, um erro do próprio G1:</p>
<p><img class="aligncenter" title="Encontre o erro do G1" src="http://www.alemazzariolli.com/wp-content/uploads/2007/09/erro_globo_g.jpg" alt="" width="550" height="449" /></p>
<p>Encontrou o erro? Ali, na chamada sobre o vestibular na USP, dizendo que: &#8220;Notas do ensino médio <strong>seram</strong> avaliadas já em 2009&#8243;. Agora, será que o G1 vai aceitar esse print screen quando eu o mandar para o <em>VC no G1</em>?</p>
<p>Ao invés de se divertir com nossos &#8220;erros&#8221;, a imprensa podia se preocupar em noticiar algo importante, como eu já andei sugerindo por <a title="Língua, 10/09/2010: &quot;A valorização do professor&quot;" href="http://sobrealingua.wordpress.com/2010/09/10/a-valorizacao-do-professor/" target="_blank">aqui</a>.</p>
<p style="text-align:center;">***</p>
<p>1) Para quem se interessa, como eu, pelas questões da gramática tradicional, aqui vai a referência completa da gramática que eu usei nesse post: BECHARA, Evanildo. <em>Moderna gramática portuguesa</em>: cursos de 1° e 2° graus. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1983.</p>
<p>2) Eu agradeço imensamente a Alê Mazzariolli, que eu não conheço, mas cuja rapidez com o teclado do seu computador me permitiu apontar a contradição do G1. A página da qual vem a imagem desse post é <a title="Ver a página de onde vem o print screen deste post" href="http://www.alemazzariolli.com/2007/09/21/erro-de-portugues-na-globocom/" target="_blank">essa</a>.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/sobrealingua.wordpress.com/160/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/sobrealingua.wordpress.com/160/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/sobrealingua.wordpress.com/160/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/sobrealingua.wordpress.com/160/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/sobrealingua.wordpress.com/160/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/sobrealingua.wordpress.com/160/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/sobrealingua.wordpress.com/160/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/sobrealingua.wordpress.com/160/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/sobrealingua.wordpress.com/160/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/sobrealingua.wordpress.com/160/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/sobrealingua.wordpress.com/160/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/sobrealingua.wordpress.com/160/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/sobrealingua.wordpress.com/160/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/sobrealingua.wordpress.com/160/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=sobrealingua.wordpress.com&amp;blog=14904415&amp;post=160&amp;subd=sobrealingua&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>A valorização do professor</title>
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		<pubDate>Sat, 11 Sep 2010 00:09:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>César González</dc:creator>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[ensino de língua estrangeira]]></category>
		<category><![CDATA[escola]]></category>
		<category><![CDATA[imprensa]]></category>
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		<category><![CDATA[professores]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[Já que a imprensa pouco se importa em noticiar as iniciativas que valorizam a educação brasileira, acho que o Língua pode dedicar um post a isso. A primeira iniciativa que me interessa é a do Movimento Todos pela Educação: uma Carta Compromisso &#8220;pela garantia do direito à educação de qualidade&#8221;. Entidades influentes em nossa sociedade (como a [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=sobrealingua.wordpress.com&amp;blog=14904415&amp;post=145&amp;subd=sobrealingua&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Já que a imprensa pouco se importa em noticiar as iniciativas que valorizam a educação brasileira, acho que o Língua pode dedicar um post a isso.</p>
<p>A primeira iniciativa que me interessa é a do Movimento Todos pela Educação: uma <a href="http://sobrealingua.files.wordpress.com/2010/09/carta_compromisso_2010_08_31.doc"></a><a href="http://sobrealingua.files.wordpress.com/2010/09/carta_compromisso_2010_08_31.doc">Carta Compromisso</a> &#8220;pela garantia do direito à educação de qualidade&#8221;. Entidades influentes em nossa sociedade (como a Central Única dos Trabalhadores, a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil, o Conselho Nacional da Educação, a Ordem dos Advogados do Brasil, e outros 23 proponentes) assinaram uma carta que será entregue aos candidatos aos cargos do executivo e do legislativo. Quer-se, com isso, que nossos políticos afirmem seu &#8220;comprometimento com políticas públicas para a Educação.&#8221; (Leia <a title="Carta compromisso por educação de qualidade é lançada" href="http://todospelaeducacao.org.br/comunicacao-e-midia/noticias/10186/carta-compromisso-por-educacao-de-qualidade-e-lancada-em-brasilia" target="_blank">aqui</a> a notícia no site do Todos pela Educação.)</p>
<p>A carta aponta uma série de &#8220;desafios prioritários&#8221; (nas palavras dos redatores) que incluem a erradicação do analfabetismo e a universalização do ensino básico.  Sugerem os signatários da carta compromisso que a superação desses desafios demanda a institucionalização do Sistema Nacional de Educação, que garantiria a existência de politicas públicas que integrem e responsabilizem todos os níveis da federação em torno da questão da educação. A implementação desse sistema, contudo, passa pela criação de leis e políticas públicas que, entre outras coisas, valorizam o professor.</p>
<p>É ótimo ler que setores importantes da sociedade concordam que a valorização do profissional da educação é um dos &#8220;mínimos necessários&#8221; à implementação de uma educação de qualidade. Nas palavras dos signatários:</p>
<blockquote><p>os futuros governantes e parlamentares, nos âmbitos federal, estadual e distrital, em parceria com seus equivalentes municipais, devem implementar de forma integral e imediata, a Lei N° 11.738/ 2008, que determina o Piso Salarial Profissional Nacional para os Profissionais do Magistério Público da Educação Básica. Complementarmente, até o ano de 2014, os mesmos devem<strong> produzir leis e políticas públicas capazes de estabelecer Planos de Carreira e Remuneração que tornem a educação uma área valorizada e atrativa profissionalmente.</strong> [O grifo é meu.]</p></blockquote>
<p>É importante perceber que não somos apenas nós, professores, que levantamos essa bandeira. São vários os setores da sociedade que assinaram essa carta e todos concordam que é importante tornar a carreira de professor atrativa profissionalmente.</p>
<p>A desvalorização do profissional da educação, me parece, é consequência das escolhas da sociedade em que vivemos, que paga salários extremamente diferentes à profissionais cuja formação e importância para a sociedade se equipara. (Leia sobre isso aqui, no Língua: <a title="Ver post" href="http://sobrealingua.wordpress.com/2010/08/31/sobre-professores-arquitetos-e-medicos/" target="_blank">Sobre professores, arquitetos e médicos</a>.) O problema é que essa desvalorização elimina a atratividade (não somente) financeira da carreira de professor. Também não podemos nos esquecer que vivemos numa sociedade em que o dinheiro fala bastante alto. Assim, mesmo aqueles vocacionados deixam de se dedicar ao ensino, buscando carreiras com maior retorno financeiro. Talvez, se valorizássemos nosso magistério, os professores, com maior auto-estima, ofereceriam um trabalho de maior qualidade. Em outras palavras: talvez, se pagássemos salários que fizessem jus ao trabalho do professor, ele fosse capaz de ensinar.</p>
<p>Outra coisa que é importante investigar é o que diz a tal da Lei n° 11.738/08 à qual se referem os signatários da carta compromisso. Não é surpreendente descobrir que ela é a mesma aquela contra a qual estados e municípios de todos os cantos do país se insurgiram em 2008, pois estabelece que o salário do professor público vai ser de, pelo menos, R$ 950,00 por uma jornada de trabalho de 40 horas semanais. Na minha humilde opinião esse valor não paga o trabalho do professor. (E, vale a pena <a title="Folha de 15/08/2008: &quot;Professores protestam contra aumento salarial de Yeda Crusius&quot;" href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u434092.shtml" target="_blank">lembrar</a> a título de comparação que a governadora do estado do RS, uma das insurgentes, aprovou por volta daquela mesma data, aumento para ela mesma: 143%.)</p>
<p>Essa discussão sobre a valorização do professor nos leva à segunda (louvável) iniciativa que nos interessa. A Capes recentemente publicou um <a title="Ver edital" href="http://www.capes.gov.br/images/stories/download/bolsas/Edital_52_Certificacao_LinguaInglesa2010.pdf" target="_blank">edital</a> para professores da educação pública básica oferecendo-lhes um curso de capacitação nos Estados Unidos.</p>
<p>Sim, 20 professores de inglês da escola pública vão estudar lá nos States às custas da Capes. (Leia a <a title="Capes, 12/08/2010: &quot;Professores de inglês da rede pública poderão ter capacitação no exterior&quot;" href="http://www.capes.gov.br/servicos/sala-de-imprensa/36-noticias/4021-programa-preve-capacitacao-nos-eua-de-professores-da-rede-publica" target="_blank">notícia completa</a> no portal da Capes.)</p>
<p>Essa iniciativa não apenas valoriza o professor financeiramente, mas também o valoriza pelo seu conhecimento e aposta que ele é capaz, sim, de continuar aprendendo. Mais que isso, ela dá ao professor uma oportunidade de vivência no estrangeiro, o que vai ensinar a ele muito mais que a língua que ele ensina no colégio.</p>
<p>Como sociedade devemos nos sentir orgulhosos por estarmos participando dessas mudanças.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/sobrealingua.wordpress.com/145/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/sobrealingua.wordpress.com/145/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/sobrealingua.wordpress.com/145/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/sobrealingua.wordpress.com/145/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/sobrealingua.wordpress.com/145/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/sobrealingua.wordpress.com/145/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/sobrealingua.wordpress.com/145/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/sobrealingua.wordpress.com/145/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/sobrealingua.wordpress.com/145/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/sobrealingua.wordpress.com/145/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/sobrealingua.wordpress.com/145/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/sobrealingua.wordpress.com/145/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/sobrealingua.wordpress.com/145/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/sobrealingua.wordpress.com/145/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=sobrealingua.wordpress.com&amp;blog=14904415&amp;post=145&amp;subd=sobrealingua&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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