Recentemente, me disseram que a prefeitura de Vacaria, aqui no RS, abriu concurso público para professor municipal. Obviamente interessado, busquei o edital na internet. Qual foi a minha surpresa ao descobrir a remuneração oferecida pela administração da cidade: R$ 616,50.
É interessante notar, contudo, que as exigências para o cargo de professor da rede pública de Vacaria são as mesmas para os cargos de arquiteto (remuneração inicial de R$ 2.647,54) e médico (R$ 5.295,98): ensino superior completo.
Também é verdade que ambos os cargos, de arquiteto e de médico, devem trabalhar 40 horas semanais, ao contrário do que faz o professor, que vai trabalhar apenas 20 horas; então, para tornar os cálculos mais aproximados, dobremos o valor que professor ganha em Vacaria: R$ 1233,00. A conclusão é que não é preciso ser um gênio em matemática para ver que o arquiteto de Vacaria faz mais ou menos o dobro do dinheiro que faz o professor, e que o médico, o quádruplo.
Se as exigências para que se assuma o cargo são as mesmas, me pergunto, por que há tanta diferença na remuneração?
É um absurdo ser pago um valor irrisório por um trabalho que demande tanto e que seja tão importante. O profissional da educação merece tanto respeito financeiro quanto o médico ou o arquiteto, uma vez que não há razão objetiva para que os valores oferecidos sejam tão díspares.
Não quero entrar na questão das despesas de saúde do professor, que, de acordo com a pesquisa feita pelo Sinpro/RS em 2005, atinge a média R$274,40. Não quero entrar na questão do lazer que esse dinheiro não vai comprar. Mas quero perguntar como a prefeitura de Vacaria (e outros tantos governos Brasil afora) pretende que o professor que será pago esse salário invista em aperfeiçoamento e livros que o ajudarão a melhorar seu trabalho? Quero perguntar como esse dinheiro vai fazer o professor se sentir valorizado pelo serviço que presta à sociedade e assim queira fazer seu trabalho direito? Quero saber como R$ 616,50 vão dar a esse professor condições adequadas de vida e os permitam ter moradia e alimentação? Quero saber por que há uma diferença tão grande entre os salários de profissionais com o mesmo nível de formação?
***
Outros exemplos de concursos públicos que pagam pouco:
a) Prefeitura de São Paulo, do ano passado, que ofereceu o salário de R$ 1.203,12 por 30 horas de trabalho semanais;
b) Prefeitura de Teresina, Piauí, do primeiro semestre desse ano, que ofereceu o salário de R$ 1.540,25 por 40 horas de trabalho semanais; e,
c) Secretaria de Educação do Estado do Ceará, de agosto do ano passado, que ofereceu os salários de R$ 1.327,66 por quarenta horas de trabalho semanais, ou R$ 663,83 por vinte horas.
setembro 10th, 2010 → 21:39
[...] cuja formação e importância para a sociedade se equipara. (Leia sobre isso aqui, no Língua: Sobre professores, arquitetos e médicos.) O problema é que essa desvalorização elimina a atratividade (não somente) financeira da [...]